
Comprimento 4684 km
Altitude da nascente
Foz oceano Atlântico
Área da bacia 2930 km²
Afluentes
principais rio Piraí, rio Itapocuzinho, rio Jaraguá, rio Humboldt e rio Novo
País(es) Brasil
Localizada na região da Baixada Norte Catarinense, a bacia do rio Itapocu é a maior e mais importante bacia. Localizada nas latitudes 26o 11' e 26o 32 ' S e longitude 48o 38' e 49o 31' W, abrange a totalidade dos municípios de Corupá, Jaraguá do Sul, Schroeder, Guaramirim e Massaranduba, parte dos municípios de Barra Velha, São João do Itaperiú, São Bento do Sul e Campo Alegre, pequena porção do território de Blumenau, metade de Araquari e um terço do município de Joinville (vide figura 01).
Figura 01 - Localização da Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu
Fonte: Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, 2003.
A citada bacia alinha-se com a bacia do Rio Itajaí (ao sul) e com a bacia do Rio Cubatão (ao norte). As três bacias têm em comum pertencerem à vertente oceânica da Serra do Mar em transição para a Serra Geral. O limite ocidental dessas bacias é o Planalto Catarinense, no grande espaço geomorfológico das bacias hidrográficas dos rios Uruguai e Iguaçu.
A Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu tem uma área de 2.930 Km², e seus rios são caracterizados por perfis longitudinais, com declives acentuados, tendo em seu curso superior, leitos acidentados com vales suspensos, e cascatas tipo véu de noiva, de acordo com o Plano Básico de Desenvolvimento Ecológico-Econômico da AMVALI (1996, p. 45). Os rios da microrregião estão classificados, quanto ao uso, nas classes 1 e 2 pela Portaria Estadual nº. 0024/79.
Cronologia do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu
- 20 de junho de 2000: a comunidade do Vale do Itapocu reuniu-se pela primeira vez com o intuito de formar o Comitê Itapocu, ocasião na qual assinou-se o Protocolo de Intenções do Comitê Provisório de Gerenciamento da Bacia Hidrografia do Rio Itapocu.
- 05 de julho de 2001: o Conselho Estadual de Recursos Hídricos analisou a proposta de composição do Comitê Provisório de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu, a qual foi aprovada.
- 21 de agosto de 2001: encaminhamento do decreto de criação do Comitê Itapocu para a Casa Civil através da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente.
- 05 de setembro de 2001: publicação do decreto de criação do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu no Diário Oficial de Santa Catarina sob o número 2.919.
- 21 de novembro de 2001: a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Meio lança oficialmente em Jaraguá do Sul o Comitê Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu, sendo que a eleição da primeira Diretoria e do Conselho Consultivo deu-se por aclamação neste mesmo dia.
- abril de 2003: o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu lança o Diagnóstico Preliminar e Cadastro Básico de Usuários da Bacia do Rio Itapocu.
- abril de 2005: o Regimento Iterno do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu é discutido em assembléia e são sugeridas alterações para o que o documento se adeqüe às alterações da Política Estadual de Recursos Hídricos que havia sido recentemente reformulada.
- 28 de agosto de 2006: publicação no Diário Oficial de santa Catarina do novo Regimento Interno do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu.
O Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu, ou simplesmente Comitê Itapocu, conquistou, ao longo do tempo, o interesse de entidades que, embora com interesses diferentes, têm interesse na conservação/recuperação da qualidade da água da bacia do Itapocu.
As águas da bacia são utilizadas principalmente na atividade agrícola, irrigando lavouras de arroz em Massaranduba, Jaraguá do Sul e Schroeder, entre os meses de julho e abril, sendo que a demanda por água concentra-se no verão e no início do preparo do solo. O uso é significativo também nas atividades de piscicultura nos municípios de Massaranduba, Jaraguá do Sul, Schroeder, Guaramirim e Joinville. Este último utiliza ainda as águas da bacia para abastecimento público, tendo uma de suas fontes de captação no Rio Piraí.
Os maiores problemas da bacia são o despejo inadequado de água contendo grandes quantidades de argila em época de preparo do solo e resíduos de defensivos agrícolas na lavoura já implantada, fato que é particularmente agressivo na rizicultura. Também é muito intensa a atividade de mineração de areia e cascalho na microrregião, o que causa sérios impactos sobre a bacia.
Ao longo destes mais de seis anos de existência, as ações do Comitê Itapocu têm se voltado para a promoção e manutenção da qualidade da água da bacia, sendo que projetos de monitoramento já foram encaminhados à secretaria estadual responsável algumas vezes com o intuito de obter recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FEHIDRO.
A bacia do Itapocu ainda não está apta à concessão de outorgas, já que, para tanto, faz-se necessária a elaboração de seu Plano de Bacia, ação para a qual o Comitê começa a se preparar ainda no decorrer de 2007.
Ressalte-se que, no Estado de Santa Catarina, apenas o comitê Cubatão do Norte já iniciou a concessão de outorgas, numa ação piloto do Governo do Estado.
(Ita-poc-u) - "Ita= pedra", "poc= arrebentar" e "u= aumentantivo do vocábulo tupi-guarani": Para o português a tradução ficaria assim: “pedra comprida” (uma alusão a desembocadura do rio Itapocu com a lagoa de Barra Velha e o mar, onde se estende uma longa faixa de areia). Esta barreira natural de areia é a atual praia da península. Esta tradução também poderia ser uma alusão ao salto do Guamiranga em Guaramirim que faz uma barreira natural de pedra no curso do rio; (tape-puco) - "tape= caminho" e "puco= comprido". Para o português a tradução ficaria assim: "rio por onde se percorre o caminho comprido" (uma alusão ao caminho ou itinerário que os índios guaranis se utilizavam a partir da costa brasileira para entrar pelo interior do continente até ao atual território paraguaio tendo o rio como ponto de referência e conhecido nos tempos antigos como “Peabiru”); (tape-kue) - "tape= caminho", "kue= antigo, velho". Para o português a tradução ficaria assim: "rio que é parte do caminho velho ou antigo" ou "rio onde se percorre o caminho velho ou antigo" (uma alusão também ao caminho indígena conhecido como “Peabiru”). Esta última tradução foi baseada no livro da década de 50 do século XX do padre espanhol Antonio Guasch chamado: "El idioma Guaraní";
O pesquisador da cidade de Barra Velha (falecido) José Acácio Borba, colhendo relatos e depoimentos de populares daquela cidade, faz o seguinte comentário sobre a lagoa de Barra Velha e que está relacionado indiretamente com o rio Itapocu. Na época em que os índios botocudos (da nação macro Jê) rondavam as cercanias da foz do rio Itapocu desde os tempos do século XIX, chamaram o local pelo termo “Goio Tuié” (Goio= água e Tuié= velha), ou seja, “água velha” (uma alusão ao que seria antigamente um canal antigo entre a lagoa de Barra Velha com o mar).
Antigamente na cartografia espanhola e em algumas publicações históricas desde a época do descobrimento do século XVI até os dias atuais, o rio Itapocu como primeiro topônimo espanhol era chamado de "río del Ancon" ou "rio da Enseada", mas após as expedições dos desbravadores espanhois por este rio, os cartógráfos da coroa espanhola do século XVII, trocaram o nome tomando como referências as descrições feitas pelos desbravadores da coroa espanhola para alguns topônimos e corruptelas de "Ytabucu (Ytabucú), Ytabuca, Yrabuco, Ytabusú, Itabuzú, Ytabucó, Itabuco, Itabucu (Itabucú), Itabuca, Itacumbu, Tabucá, Tapuca (Tapucá), Tabucú, Tabuen, Itaburu (Itáburu), Itabicu, Itapicu, Itapucuru, Itapogú (Ita pogu), Itapecu, Itacumbu, Ytaluca, Y Tanunço, Ytaluan, Ytabuan, Ytanbuan, Itapuen e Itapuan (não confunda as duas últimas palavras topônimas como sendo alusivas a cidade de Itapoá-SC), e na cartografia portuguesa como sendo: G. (Golfo), Baia e Río do Repayro ou Repairo (Reparo) e G. (Golfo) de Vegio Maria".
Postado por : Matheus Pimentel,Eduardo Heinz , Pedro Iung e Leonardo Leite
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